RAPIDINHAS

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Onde está o estresse no cérebro humano?

Já vivíamos em tempos estressantes, com a chegada da pandemia tudo piorou, não há como negar. Mas enquanto a sensação de estar estressado é uma experiência humana comum, ainda há muito que não entendemos sobre como nossos sentimentos mais sombrios se manifestam.



Durante um episódio de estresse fisiológico, por exemplo quando sentimos dor, fome ou muito medo uma das estruturas acionadas pelo nosso cérebro é o hipotálamo que desencadeia a produção de hormônios como cortisol e a adrenalina que ajudam a mediar nossa resposta ao estresse, e são esses hormônios que preparam o nosso organismo para se defender.

Mas e quanto ao estresse “emocional”, que poderíamos pensar como estresse psicológico: onde esses sentimentos negativos de pressão, ansiedade e pressentimento existem no cérebro?

Muitas evidências em animais e humanos apontam para mecanismos que envolvem o hipocampo - uma região do cérebro que ajuda a regular a memória, a emoção e a navegação. 

Em um estudo, cientistas da Universidade de Yale examinaram dando-nos uma nova perspectiva de como os fundamentos neurológicos do estresse funcionam dentro do cérebro humano. Essa pesquisa envolveu 60 adultos saudáveis que participaram de um experimento onde tiveram sua atividade cerebral medida por ressonância magnética funcional eles classificaram o estresse e a excitação que sentiram em cada conjunto de imagens as quais foram submetidas, sendo essas altamente aversivas e ameaçadoras, projetadas para produzir uma forma de resposta ao estresse (como raiva, nojo, medo e tristeza), alternadas com várias cenas neutras, projetadas para ajudá-los a relaxar.

Os pesquisadores descobriram que uma maior atividade ligando o hipocampo ao hipotálamo, córtex parahipocampo (APS) e giro temporal inferior (GTI) correspondia aos participantes que se sentiam mais estressados, foi um exemplo de uma rede positiva em termos do experimento, em que maior atividade equivale a maiores níveis de estresse. E, a conectividade hipocampal com o córtex pré-frontal dorsolateral (dlPFC), o giro pós-central e o cerebelo constituía uma rede negativa, com maior atividade entre esses grupos, indicando que as pessoas estavam menos estressadas no experimento.

O nível geral de estresse das pessoas é determinado por uma interação adaptativa da atividade entre essas duas redes, que se combinam para instigar e atenuar o estresse que elas sentem.

"Apesar dos papéis distintos dessas redes, nossas descobertas sugerem que os indivíduos envolvem redes positivas e negativas de maneira adaptativa para atenuar os sentimentos de estresse", explicam os pesquisadores em seu estudo .

Nos seres humanos, o volume do hipocampo está associado ao estresse da vida, desregulação da emoção, reatividade do estresse cardiovascular e vulnerabilidade à percepção do estresse. Cognitivamente, o sistema hipocampal pode contribuir para a sensação subjetiva de estresse, apoiando a recuperação da memória, o que pode aumentar ou diminuir respostas agudas ao estresse. Embora ainda tenhamos muito a aprender sobre como o hipocampo regula o estresse - para não mencionar outros mecanismos neurobiológicos que também devem contribuir - os pesquisadores dizem que a descoberta dessas redes neurais funcionais poderia um dia ajudar no desenvolvimento de tratamentos futuros para o estresse.

Ler mais: Saiba como diminuir o estresse emocional e viver mais saudável.

Os resultados são relatados na Nature Communications .

Fontes: [1]. [2]


Adriana R. Cordeiro


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