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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

As fake news e suas consequências na ciência e sociedade

 A esfera política não é o único lugar onde fake news, as "notícias falsas" são disseminadas.

As fake news na ciência podem ter efeitos catastróficos, uma vez que sua disseminação prejudica de várias maneiras a sociedade e deslegitima pesquisas científicas verdadeiras.


Sempre houve informação "científica" falsa, desde vendedores de óleo de cobra até pesquisas patrocinadas pela indústria, passando por manchetes de tabloides.

No entanto, o advento da Internet e a popularidade das mídias sociais facilitaram a divulgação de informações fraudulentas.


Tipos de informações ruins

Há vários pacotes nos quais são entregues informações falsas.  Alguns são simplesmente mentiras promulgadas por pessoas com algum objetivo. Outros são parte de pesquisas financiadas pela indústria para distorcer resultados e opiniões. E ainda outro segmento é a pesquisa questionável que recebe ampla atenção. Alguns são uma combinação destes fatores.

Um dos melhores exemplos do passado é a indústria do tabaco, que durante décadas financiou pesquisas que lançaram dúvidas sobre se o fumo de cigarro e o fumo passivo eram ruins para sua saúde. A indústria do açúcar também tem sido acusada de apoiar estudos que minimizaram os riscos à saúde do consumo de alimentos e bebidas adocicadas. 

Tudo o que uma indústria precisa fazer é criar alguma incerteza.

Às vezes, uma pesquisa tendenciosa não é fácil de detectar. Em 2017 foi divulgado um estudo que concluiu que a inflamação pulmonar era muito menos grave em fumantes de cigarros eletrônicos do que em pessoas que fumavam cigarros regulares. A pesquisa foi financiada pela British American Tobacco.

Por que esta organização financiaria um estudo que teve resultados negativos para cigarros regulares? Acontece que a indústria do tabaco em todo o mundo está entrando no mercado de cigarros eletrônicos.

Pesquisas ruins também podem receber atenção generalizada.

Em 1998, um médico britânico chamado Andrew Wakefield publicou um estudo no The Lancet que ligava o autismo à vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR). Entretanto, esse estudo incluiu apenas uma pequena amostra de 12 indivíduos, e uma série de conflitos acabou sendo descoberta envolvendo Wakefield e seus colegas. A Lancet retraiu o estudo em 2010, mas ele ainda é citado por algumas organizações anti-vacinação.


Disseminando as informações falsas

O problema não é apenas a pesquisa questionável. É também a rapidez e a amplitude com que a informação pode se espalhar. Qualquer pessoa pode ter um website no mundo hoje e se tornar um "especialista em vacinas e autismo". Nesses sites, as pessoas podem postar e compartilhar qualquer material que considerem digno e preciso. Além disso, sites como o Facebook podem contribuir para o problema.

Esses sites de mídia social rastreiam as informações nas quais uma pessoa está interessada e as alimentam mais do mesmo. Assim, alguém que pensa que a indústria do carvão não polui o ar, verá mais material nessa mesma linha.

Em diversos locais, como os grupos de Whatsapp, as fake news são disseminadas a todo instante. Alguns como o do exemplo acima, traz informações absurdas, sem nenhuma lógica. Também circulam vídeos de supostos "especialistas" ou "autoridades" em determinado assunto, espalhando informação falsa.

Laura Boxley, PhD, diretora de treinamento em neuropsicologia clínica e professora assistente-clínica nos Departamentos de Psiquiatria e Saúde Comportamental, Neurologia e Psicologia do Centro Médico Wexner da Universidade Estadual de Ohio, disse que este tipo de informação falsa pode ser mais atraente do que informação verdadeira aos leitores.

"A ciência real não é sexy e extravagante". Ela é lenta e constante".

Este "viés de confirmação" pode produzir e validar a visão unilateral de uma pessoa. "Há muito perigo em aceitar apenas a informação de uma única fonte". Além de endurecer a crença de um indivíduo, as "notícias falsas" científicas também podem afetar a política do governo.

A mudança climática é um exemplo de alto nível, em que um fenômeno cientificamente comprovado é considerado pelos representantes do governo como apenas um "embuste".


Terra plana é uma concepção arcaica que assume que a Terra tem o formato de um disco achatado. Geralmente os terraplanistas baseiam seus argumentos em observações empíricas simplórias, como o fato de não conseguirmos enxergar a curvatura do horizonte. No entanto, isso revela o desconhecimento da noção de referencial, que explica por que a curvatura da Terra é imperceptível para um observador que se encontra próximo ao chão. Além disso, eles descartam evidências fotográficas, experimentos científicos, expedições espaciais, observações astronômicas, a existência da gravidade, fenômenos meteorológicos etc.


O que pode ser feito?

Os especialistas estão incitando vários cursos de ação para parar ou retardar a disseminação de informações científicas falsas.

Primeiro, eles dizem que os cientistas precisam fazer um melhor trabalho de comunicação de suas pesquisas ao público. A simples divulgação de dados e termos técnicos não vai conseguir fazer isso.

Eles acrescentam que nas escolas, os educadores deveriam começar a ensinar às crianças e adolescentes como funciona a ciência real. Dessa forma, eles serão capazes de detectar pesquisas falsas quando forem adultos. Ensinar isso cedo constrói habilidades para toda a vida. Isto destaca a importância de desenvolver uma cidadania sofisticada.

Os especialistas também apontam ao país a financiar e respeitar melhor os lugares onde é feito o verdadeiro trabalho científico - as universidades públicas.

Finalmente, eles apelam ao público a evitar a tentação de compartilhar informações duvidosas sobre as mídias sociais.

Por: Jonathan Pena Castro


Fontes:

Healthline

Politifact

Cbsnews

Pnas






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