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segunda-feira, 27 de julho de 2020

De onde os vírus surgiram?

A origem dos vírus é um tema muito debatido. Não está claro como eles evoluíram pela primeira vez. No entanto, há muitas idéias flutuando por aí. Há três hipóteses clássicas, mas muitas novas idéias e descobertas as desafiam.

O primeiro modelo foi a primeira hipótese do surgimento dos vírus e afirma que, como os vírus são muito mais simples que uma célula, eles devem ter evoluído primeiro, e que os antepassados dos vírus modernos poderiam ter fornecido matéria-prima para o desenvolvimento da vida celular. Os principais dados que suportam isto são aparentes quando se olha para os genes dos vírus, comparando-os e sua sequência genética com os dados de vida celular disponíveis nos bancos de dados genéticos. Isto sugere que os vírus não são uma versão mais simples da vida celular, mas são fundamentalmente diferentes e podem ter pré-datado completamente a vida celular. Este modelo também sugere que havia uma antiga virosfera a partir da qual todos os vírus evoluíram. Entretanto, alguns cientistas descartam esta hipótese por causa de uma característica chave.  De acordo com a definição clássica de vírus, eles precisam da célula de um hospedeiro para se replicar. Então, como os vírus poderiam ter sobrevivido antes da existência da vida celular?



O segundo modelo é chamado de hipótese regressiva, às vezes também chamada de hipótese de degenerescência ou hipótese de redução. Esta sugere que os vírus já foram pequenas células que parasitaram células maiores, e que com o tempo os genes não exigidos por seu parasitismo foram perdidos. A descoberta de vírus gigantes que tinham material genético semelhante a bactérias parasíticas suporta esta ideia. Mas o que não pode explicar é porque os vírus não se parecem em nada a células.

Bacteriofago. | 微生物, 人体, 生物学
Bacteriófago

O terceiro modelo é a hipótese de fuga, e afirma que os vírus evoluíram a partir de pedaços de RNA ou DNA que escaparam de genes de organismos maiores. Por exemplo, bacteriófagos (vírus que infectam bactérias) vieram de pedaços de material genético bacteriano, ou vírus eucarióticos são de pedaços de material genético de eucariotas como nós. Entretanto, neste modelo, seria de se esperar que as proteínas virais compartilhassem mais qualidades com seus hospedeiros, mas este não é, em grande parte, o caso. Este modelo também não explica a estrutura única que os vírus têm que não é vista nas células.

Algumas descobertas recentes de vírus gigantes complicaram ainda mais a questão sobre a origem dos vírus. Estas descobertas também desafiam muitas das definições clássicas do que faz um vírus, tais como o tamanho, o comportamento genético e como eles se replicam.

Os vírus gigantes foram descritos pela primeira vez em 2003. O primeiro espécime foi o Acanthamoeba polyphaga mimivirus (APMV), isolado de uma ameba na torre de resfriamento na Inglaterra. O nome "mimivirus" significa MImicking MIcrobe virus por causa da maneira como a ameba confunde com sua refeição típica de bactérias. Os mimivírus são diferentes dos vírus por terem muito mais genes do que outros vírus, incluindo genes com a capacidade de replicar e reparar o DNA.

CRISPR-like 'immune' system discovered in giant virus : Nature ...
Mimivírus

O pandoravírus, descoberto em 2013, é ainda maior que o mimivírus e tem aproximadamente 2500 genes, sendo que 93% de seus genes não são conhecidos de nenhum outro micróbio.

Cientistas descobrem vírus "gigante" e podem mudar a árvore da vida
Pandora virus

O pitovírus foi descoberto em 2013 a partir de uma amostra de sujeira siberiana que tinha sido congelada por 30.000 anos. É maior do que o pandoravírus, assim como algumas bactérias, e se comporta de maneira diferente dos vírus quando se trata de reprodução. De acordo com a definição clássica de vírus, eles devem ter uma célula do hospedeiro para se reproduzir e não podem fazê-lo por si mesmos. Entretanto, o pitovírus possui algum mecanismo próprio de replicação. Embora contenha menos genes do que o pandoravírus, dois terços de suas proteínas são diferentes daquelas de outros vírus.

Vírus gigante com 30 mil anos ressuscitado no permafrost siberiano
Pitovírus

O Tupanvirus foi descoberto no Brasil. Ele contém um conjunto quase completo de genes necessários para a produção de proteínas.

Tupanvirus – Wikipédia, a enciclopédia livre
Tupanvírus

As descobertas destes vírus gigantes e outros não listados aqui fizeram alguns pesquisadores sugerirem que eles se encontram em algum lugar entre bactérias e vírus, e podem até mesmo merecer seu próprio ramo na Árvore da Vida. Isto criaria um quarto domínio da vida ainda não descrito, além das Bactérias, Archaea e Eukaryotes. E caso você esteja preocupado se estes grandes vírus podem nos infectar, descanse facilmente. Você só precisa se preocupar se por acaso for uma ameba.


Fontes:

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