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quarta-feira, 10 de março de 2021

Os exemplos mais extremos de diferenças entre machos e fêmeas na natureza

Você já se perguntou por que machos e fêmeas da mesma espécie podem às vezes parecer radicalmente diferentes um do outro? Tudo isso graças a uma condição conhecida como dimorfismo sexual, que geralmente é desencadeada pelo processo de seleção sexual através do acasalamento competitivo. O dimorfismo sexual pode se manifestar de muitas maneiras fascinantes - tamanho, coloração, comportamento e presença de características sexuais secundárias como penas da cauda, seios ou chifres.

Um dos melhores exemplos disso no caso dos mamíferos é o mandril, que é amplamente considerado como a espécie de mamífero mais sexualmente dimórfico. Quando você examinar as imagens dos machos e das fêmeas, uma das primeiras coisas que você notará é que os machos exibem uma coloração mais vibrante em seus rostos e nos olhares. No entanto, se você encontrar um desses majestosos primatas de perto, você perceberá rapidamente que a diferença mais dramática entre seus sexos é seu tamanho. Enquanto que a fêmeas pesa cerca de 12 Kg em média, alguns machos podem pesar até 40 kg!

Mandril fêmea (esquerda) e mandril macho (Direita). Crédito da foto: Sérgio Bavaresco

No entanto, nem se comparam ao peixe chamado de demônio marinho (Cryptopsaras couesii). Vivendo a 2000 metros abaixo da superfície do oceano, estes peixes de aparência arrepiante são, uma das manifestações mais extremas e bizarras do dimorfismo sexual do mundo. Como exibido no diagrama abaixo, as fêmeas desta espécie medem cerca de 30 cm de comprimentos enquanto os machos mal chegam a 1,5 cm.

Peixe demônio marinho (Cryptopsaras couesii). Crédito: Wikimedia commons

Esta disparidade dramática no tamanho se deve em grande parte às práticas de acasalamento parasitário da espécie. (Isso mesmo, é amor na primeira mordida!). 

A evolução do peixe macho os deixou muito reduzidos. Em algumas outras espécies, os machos não são sequer capazes de se alimentarem. Em vez disso, eles devem encontrar rapidamente uma fêmea para se fixarem ou poderão morrer. Depois de se fixarem, seus sistemas circulatórios se fundem e ela lhe dá sustento, enquanto ele lhe fornece o esperma.

Abaixo, listamos alguns outros exemplos dos dimorfismos mais radicais:

Bonellia viridis, o verme-colher verde

O verme marinho Bonellia viridis começa a vida como uma larva ciliada de sexo indefinido de natação livre. Essa larva acabará caindo no fundo do mar e metamorfoseando-se em uma fêmea, com um corpo em forma de saco bulboso de cerca de 15 cm de comprimento, mais uma probóscide bifurcada muito longa e extensível.



Mas se uma larva ciliada ainda de sexo indefinido tocar uma fêmea, ela se transforma em um macho. Os machos têm 1-3 mm de comprimento e vivem dentro do corpo da fêmea, em seu saco genital, produzindo esperma e não fazendo mais nada. Há relatos de uma fêmea que foi encontrada com mais de cem machos vivendo dentro de seu sistema reprodutivo!

Esquema mostrando a fêmea e o macho vivendo em seu interior.


Esquistossomo (Schistosoma mansoni)

Outro exemplo de dimorfismo sexual radical, é o caso do verme esquistossomo, o causador da parasitose popularmente chamada de Barriga d'água.  A fêmea é encontrada dentro do corpo do macho no momento da cópula em uma região denominada de canal ginecóforo. Existem várias espécies causadoras da esquistossomose, entretanto, no Brasil, essa doença é causada pela espécie Schistosoma mansoni.


As fêmeas são mais compridas e finas que os machos e ficam dentro do corpo do macho no momento da cópula

Sacculina carcini

Sacculina carcini é uma craca (veja a figura abaixo com o ciclo de parasitismo deste crustáceo). À primeira vista, essa microscópica gota com perninhas não impõe respeito. Mas os biólogos estão percebendo que ela é uma usina de energia disfarçada. A saculina começa a vida como uma larva nadando no oceano. Até que a fêmea da espécie fareja, com os órgãos sensoriais das pernas, o cheiro do caranguejo. Ela vai dançando pela água até pousar na carapaça dele. Depois, sobe por um dos braços do crustáceo enquanto ele se mexe em pânico. Até que encontra, no esqueleto externo da vítima, um orifício por onde passa um pelo. A saculina fêmea enfia, então, uma agulha oca no orifício e injeta com ela um líquido com algumas células. Na verdade, essas células são o parasita. O resto fica do lado de fora e é abandonado como uma casca vazia. Lá dentro, sobra apenas uma lesma microscópica.

A lesma penetra no caranguejo e forma um nódulo na parte de baixo da casca. Daí começa a espalhar raízes, parecidas com as das plantas, que se estendem por todo o corpo do hospedeiro. Coberta com filamentos semelhantes aos que revestem o intestino humano, essas raízes absorvem os nutrientes dissolvidos no sangue do caranguejo. Ou seja, roubam dele a comida. Por incrível que pareça, essa invasão não provoca nenhuma resposta imunológica. O crustáceo continua a passear pela rebentação tranquilamente, alimentando o parasita com mariscos e mexilhões.

Com isso, a saculina fêmea cresce. O nódulo na casca vira uma bolota cada vez maior até que abre-se um buraco nela do tamanho da ponta de um alfinete. Um dia, uma larva macho de saculina aterrissa no caranguejo e encontra a abertura na sua carapaça. Como a passagem é pequena demais para ele, o macho faz como a fêmea: abandona parte do corpo. O que entra no caranguejo é um torpedo espinhoso, marrom avermelhado, 50 000 vezes menor que 1 centímetro. Ele penetra num canal pulsante e, depois de dez horas, vai dar dentro do corpo da fêmea. Lá ele se funde com a bolsa visceral dela e começa a soltar esperma. Cada saculina fêmea tem duas bolsas dessas e pode carregar dois machos até a morte. Os parasitas, então, se reproduzem fabricando milhares de larvas por semana.

Aos poucos, o caranguejo se transforma numa criatura que existe só para servir ao parasita. Não consegue mais fazer coisas que gastam energia – trocar de casca, crescer, recuperar garras perdidas, se reproduzir. Em resumo, só faz o que interessa à saculina: comer. A craca, então, toma emprestada a bolsa que a fêmea do caranguejo usa para carregar os futuros filhotes e guarda lá seus ovos. Se o bicho infestado for um macho, não faz mal. A craca muda o formato do abdome dele, tornando-o capaz de transportar ovos.

A vítima cuida inocentemente da bolsa, livrando-a de algas e fungos, até que as larvas chocam e precisam se soltar. O caranguejo, então, acha uma pedra alta e começa a mexer-se para liberá-los. Depois abana maternalmente as garras para produzir uma corrente que leve os filhotes do parasita para um lugar seguro. Ou seja: o caranguejo solta na água uma nova geração de parasitas que vão contaminar outros caranguejos...

Aranhas

O dimorfismo sexual em aranhas é sempre  interessante.

Em maior parte das espécies, a aranha pequena é o macho e a aranha grande é a fêmea. E essa diferença de tamanho pode ser extrema!

Aqui, um exemplo nas aranhas tecelãs, a qual a fêmea do lado esquerdo e o macho, no lado direito.

Pavões (Pavo sp)

Pavões estão entre os exemplos mais conhecidos e maravilhosos de dimorfismo sexual. Enquanto os machos exibem uma exuberante cauda de penas, que podem se abrir em uma grande exibição, as fêmeas possuem uma aparência significativamente mais subjugada:






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