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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Que cheiro ruim! A importância do odor na natureza

Desodorante, perfume, chuveiros com sabão. A maioria dos humanos faz um grande esforço para cheirar bem. O que para nós é uma questão de higiene - e saúde -  para o mundo natural, as vezes o fedor pode ser questão de sobrevivência.


Provavelmente você já ouviu em algum lugar que ocasionalmente os gambás norte americanos (skunk ou cangambá) podem exalar um líquido que cheira mal. Os compostos químicos podem causar náuseas e uma sensação de ardor nos olhos. Um gambá só libera esses fortes odores quando se sente ameaçado.

Cangambá norte americano (Mephitis sp)

Este fedor superpotente é o resultado da seleção natural. Uma criatura que pode se defender contra predadores tem mais chances de sobreviver e ter filhotes. Isso significa que as características que impedem que uma criatura se transforme em um jantar são mais propensas a serem transmitidas de geração em geração. Algumas espécies dependem da força e da velocidade, sendo essa a característica selecionada s ao longo de muitos, muitos anos. Outras se escondem muito bem, através de uma camuflagem que combina com seu hábitat natural. E embora isso possa não parecer glamoroso, algumas adaptações acabaram sendo selecionadas para cheiro ruim.


Ao contrário do que pregam os desenhos animados, os gambás que existem no Brasil não soltam uma substância de odor fétido, como no desenho “A Gatinha e o Gambá”, por exemplo. O gambá-de-orelha-branca e gambá-de-orelha-preta eliminam odor apenas para marcar território, atrair parceiros ou em situações de extremo estresse, mas são cheiros que não chegam a incomodar as pessoas. A espécie geralmente retratada nos desenhos é o cangambá americano. Conhecido como skunk, o animal ocorre no Canadá, Estados Unidos e México e esse sim solta o cheiro característico.

Gambá (ou saruê, sariguê) que ocorre no Brasil (Didelphis sp), muitas vezes chamado erroneamente de raposa, não representa riscos e além de ser um animal nativo, é um importante componente da fauna.

Além dos cangambás, outros animais também produzem odores fortes. Alguns milípedes - artrópodes com diversas pequenas pernas - disparam um líquido desagradável para fora de seus corpos quando perturbados. 

Os piolhos-de-cobra têm glândulas que produzem uma substância expelida por meio de pequenos orifícios. Tal substância evapora bem rápido, causa um cheiro bastante desagradável, que serve para espantar inimigos.

Os besouros-bombardeiros também o fazem, e sua defesa malcheirosa pode também atingir temperaturas de ebulição ao ser lançada.


Há maneiras mais simples de afugentar um predador com cheiro desagradável também. Os abutres, que sobrevivem sobre os restos podres das carcaças apodrecidas, vomitarão pedaços de carniça quando ameaçados. Isto os torna mais leves, para que possam voar mais efetivamente, mas o odor da comida parcialmente digerida - que já era bastante fedorenta mesmo antes da ave a comer - geralmente é suficiente para fazer qualquer um recuar. 

Essa simpática ave pode vomitar pedaços de carniça se ameaçados

Mas nem todo fedor que você sente é projetado para manter as coisas ruins à distância. Alguns odores são destinados a atrair a atenção, não a repelir. As hienas produzem uma substância oleosa fedorenta  para se comunicar com sua própria espécie. 

Para demarcar o território, a hiena passa uma substância oleosa com cheiro muito forte em galhos e troncos. Essa substância sai de glândulas que ficam entre os dedos das patas e no bumbum. Se uma hiena de outro grupo entrar no território demarcado, elas brigam. Crédito: (John Thys/Agence France-Presse/Getty Images)

Os bois almiscarados masculinos produzem seu famoso almíscar (que, caso não se possa adivinhar, é muito fedorento) para marcar território durante a época de acasalamento. 

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Boi almiscarado

E no reino vegetal, a infame flor cadáver floresce com um poderoso fedor para imitar a carne podre - um farol de esperança para os escaravelhos e moscas próximos em busca de um jantar. Esses insetos fazem o trabalho de polinizar a flor do cadáver, portanto seu perfume pungente é crucial para a sobrevivência de sua espécie.

Flor cadáver, a planta mais malcheirosa do mundo


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