RAPIDINHAS

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Teoria do Caos e sua relação com a vida


Quando falamos em Caos automaticamente pensamos em desordem, algo que não possui padrão é imprevisível e completamente aleatório. Agora pense nos eventos caóticos aplicados à vida. Uma forma interessante de compreender como ela tem efeitos significativos é imaginar os fenômenos casuais da vida e como um evento imprevisível - pequeno - pode ser capaz de mudar tudo. Imagine que, no passado, você tenha perdido a oportunidade de fazer o Enem porque o pneu do ônibus em que estava furou com um prego no meio do caminho. Isso acabou fazendo com que não entrasse na tão sonhada universidade pública e, desconsolado, decidiu então fazer uma particular. Para poder pagar o curso, meio período teve que trabalhar enquanto que no outro, estudar. Todas as pessoas com quem você conviverá, os amigos, os amores, os professores serão outros. No final, sua vida se alterou por completo e tudo isso por causa de um prego no início da sequência de eventos. É o mesmo caso do “efeito borboleta”, descrito em 1960 pelo meteorologista americano Edward Lorenz, em que segundo esse raciocínio, um bater de borboletas no Brasil poderia depois de um tempo causar um tornado no Texas.

O bater de asas de uma simples borboleta pode ter grandes efeitos, como a produção de um Tornado



O intrigante é que por trás dessa aleatoriedade do caos, parece haver uma estranha ordem no meio dessa toda imprevisibilidade, com fenômenos que se repetem num ritmo desordenado.

A vida, assim como muitos sistemas complexos, segundo os matemáticos, têm tendência à organização, dando origem aos chamados sistemas auto organizados criticamente. Como exemplos desses sistemas podemos considerar os movimentos orogênicos da terra, os ecossistemas e os organismos. Uma característica peculiar de todos eles, é que pequenas perturbações podem produzir efeitos pequenos ou grandes. Não há como prever esses efeitos, mas a repetição de elementos continuamente – hoje chamado de fractais, é bastante observado na vida.
Em A, uma folha natural de xaxim e em B um fractal gerado por computador, resultando numa folha composta

Na Biologia, os fractais estão presentes em muitos exemplos: o DNA de um ser vivo é composto de fractais - combinação de quatro elementos repetidos milhares (ou milhões) de vezes. A repetição é uma característica dos seres vivos, a começar pelo DNA e RNA, até características anatômicas como coluna vertebral, intestino, esôfago, etc. Nos vertebrados e anéis nos insetos e anelídeos ou estruturas anatômicas como braços de estrelas do mar, membros de insetos e vertebrados ou ainda, folhas compostas, inflorescências e infrutescências nos vegetais. Essa ausência de variação em escala e essa repetição é uma característica dos sistemas caóticos (auto organizados criticamente), e, portanto, de organismos, ecossistemas e outros sistemas citados anteriormente.
Em termos biológicos, o que se conhece cientificamente na origem da vida também foi regido pela Teoria do Caos, nos primórdios da Terra com as moléculas orgânicas presentes na sopa primordial. Como sistemas complexos, teriam a tendência de se auto organizarem e, inclusive se reproduzirem, com a seleção natural agindo efetivamente quando a síntese de peptídeos fosse comandada por moléculas capazes de se autoduplicar segundo regras (no início sujeitas a muitos acidentes) do tipo que, hoje, se conhece nos ácidos nucleicos.



Para saber mais:

Bak, P. & Chen, K. (1991) Self-organized critically. Scientific American, 264 (1): 26 - 33
Jürgens, H.; Peitgen, H.O. & Saupe, D. (1990). The language of fractals. Scientific American, 263 (2): 40 - 47.
Kauffman, S.A. (1991). Antichaos and adaptation. Scientific American, 265 (2): 64 - 70.
Kauffman, S.A. (1993). The origins of order. Self organization and selection in evolution. Oxford University Press. N. York. 709 pp.
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